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Um ser humano simples com defeitos, virtudes e que a cada dia procura viver de uma forma mais coerente possível para ser feliz. Sou cadeirante desde 1977 devido a poliomielite (Paralisia infantil), blogueiro, ex Locutor do telemensagem Shalom,Palestrante, presidente da A.D.C.C.-ASSOCIAÇÃO DOS CADEIRANTES DE CARUARU, Ex bailarino,ex secretário e conselheiro do COMUD- Conselho municipal de defesa dos direitos das pessoas com deficiência, ESTUDANTE DE ECONOMIA NA UFPE CAA(Passei a emoção é inexplicável)! Primeiro cadeirante aprovado e sem cota em ampla concorrência. Membro do NACE-Núcleo de Acessibilidade da UFPE-CAA. Estudante em pesquisa de extensão em Direitos Humanos-UFPE CAA e Secretário do DA-Diretório Acadêmico do curso de Economia-UFPE,CAA

Tradução

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Publicados decretos que regulamentam Estatuto da Pessoa com Deficiência

  • O decreto 9.404/18 dispõe sobre a reserva de espaços e assentos em teatros, cinemas, auditórios, estádios, ginásios de esporte, locais de espetáculos e de conferências e similares para pessoas com deficiência. Os estabelecimentos devem se atentar à porcentagem de espaços que devem ser destinados às pessoas com deficiência. Por exemplo, no caso de edificações com capacidade de lotação de até mil lugares, 2% de espaços dever ser destinados para pessoas em cadeira de rodas, com a garantia de, no mínimo, um espaço.


  • Já o decreto 9.405/18 dispõe sobre o tratamento diferenciado, simplificado e favorecido às microempresas e às empresas de pequeno porte, a fim de assegurar que a pessoa com deficiência possa gozar ou exercer, em igualdade de condições e oportunidades com as demais pessoas, todos os direitos e liberdades fundamentais.

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Atleta paralímpica se suicida e outras duas são afastadas por suposto abuso sexual contra companheira de time



A Confederação Brasileira de Basquete em Cadeira de Rodas (CBBC) afastou três atletas com passagens pela seleção brasileira - Lia Martins, Denise Eusébio e Geisa Vieira - por terem cometido um suposto abuso sexual contra uma de suas companheiras de time. O incidente aconteceu em fevereiro de 2017, mas somente neste ano a vítima relatou o caso. A sanção foi definida em ofício da confederação assinado no dia 4 de maio pelo presidente da entidade, Valdir Soares de Moura, ao qual o GloboEsporte.com teve acesso.


Lia e Geisa disputaram a Paralimpíada do Rio, em 2016. Procurado pelo GloboEsporte.com, o presidente da CBBC disse que a sanção está mantida "à espera do desenrolar das apurações". No documento, a confederação também anunciou que elas estavam fora do período de treinos com a seleção para o Mundial da Alemanha, que será realizado em agosto. Segundo Moura, a depender do resultado de investigações elas "poderão ou não voltar a defender a seleção" no futuro.

O caso aconteceu após um treino no alojamento da equipe Gladiadoras/Gaadin (Grupo de Ajuda dos Amigos Deficientes de Indaiatuba), baseado na cidade de Indaiatuba, no interior de São Paulo. Segundo a vítima, que prefere não se identificar neste momento, as três atletas afastadas pela CBBC - Lia, Geisa e Denise - usaram um pênis de borracha para abusá-la sexualmente. Ela teria sido retirada de sua cadeira de rodas contra a sua vontade e, já no chão, teve suas roupas íntimas abaixadas à força.


A coordenadora do time, Gracielle Silva, também aparece segurando a vítima no chão em fotos que circularam em grupos de Whatsapp e às quais a reportagem teve acesso. Gracielle se suicidou no último dia 29 de maio.


- Foi uma brincadeira de mau gosto e agora vai destruir a minha vida - disse Lia sobre o episódio que ocorreu dentro do alojamento do clube.

Lia é o maior nome da modalidade no Brasil. Participou das últimas três edições das Paralímpiadas - Pequim 2008, Londres 2012 e Rio 2016, onde a seleção terminou em 7º lugar, melhor participação da história. Vencedora do Prêmio Brasil Paralímpico em 2011, 2012 e 2015, a jogadora já foi campeã sul-americana, das Américas e medalha de bronze nos Parapans de Guadalajara e Toronto. Segundo Lia, a ideia da “brincadeira” teria partido dela, e surgiu a partir de uma conversa amistosa entre algumas jogadoras sobre o relacionamento sexual entre duas mulheres.


- A gente sempre falava essas besteiras e dávamos risadas. Mas ela (a vítima) dizia que não precisava de pinto de borracha nas suas relações. O objeto é meu, e eu não tive a intenção de machucá-la - explicou.


O presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), Mizael Conrado, tomou conhecimento dos fatos no início do mês de maio. E lamentou o caso.

- Isso é um caso que entristece o movimento paralímpico. O CPB tem um código de conduta que repele esse tipo de comportamento, estabelece regras e pune. A confederação, que é filiada ao comitê, já afastou as atletas por tempo indeterminado e nós temos total interesse na finalização desse caso com a punição dos culpados, de modo que isso jamais se repita dentro do esporte paralímpico. Eu acho que se for provada a culpa das atletas, a punição tem de ser exemplar, e elas seriam banidas do esporte - afirmou o dirigente.


A vítima, que começou a jogar basquete em cadeira de rodas há quatro anos, abandonou a equipe de Indaiatuba somente neste ano, e não prestou queixa por temor de represália. A jogadora iria até uma delegacia de São Paulo fazer a denúncia há três semanas, no entanto, na véspera sofreu um problema de saúde e, desde então, tem se recuperado. Ela passou a ser orientada por uma advogada criminalista para saber que tipo de posição tomar a partir de agora. Na próxima semana, deve passar por um exame psicológico a pedido da própria advogada e, se tudo correr satisfatoriamente, procurar as autoridades.




Veja nota da Confederação Brasileira de Cadeira de Rodas:


Comunicado de afastamento temporário de atletas

A CBBC, através de sua Diretoria Executiva de Comissão Técnica da Seleção Brasileira Feminina de Basquetebol em Cadeira de Rodas, depois de recebermos denúncia envolvendo as atletas da seleção brasileira Lia Martins, Denise Eusébio e Geisa Vieira que foram convocadas para a 2ª etapa de treinamentos preparatórios para o mundial da Alemanha, em reunião decidimos pelo afastamento das atletas mencionadas, com o objetivo de resguardá-las e de garantir o d

ireito de defesa, assegurando o tempo para esclarecimento e apuração dos fatos, dependendo do resultado poderão ou não voltar a defender nossa seleção.

Diante do exposto, vimos informá-los da nossa decisão e fazemos votos de que tudo se esclareça da melhor forma.




Valdir Soares de Moura



Presidente




Via: G1 e Cantinho dos Cadeirantes



quarta-feira, 13 de junho de 2018

No Japão, escada rolante vira elevador para cadeirante


A questão da acessibilidade tem se tornado cada vez mais importante para as administrações públicas. No Japão, por exemplo, uma escada rolante pode se transformar em um elevador para quem usa cadeira de rodas em apenas alguns segundos. O processo, como em muitos vídeos de japoneses na internet, é acompanhado com manifestações de surpresa. O vídeo foi gravado por coreanos, que pelo visto também gostaram do exemplo de acessibilidade.

Aliás, toda a estação onde fica a escada rolante é pensada para ser acessível:



terça-feira, 12 de junho de 2018

Pernambuco abre seleção simplificada para 395 vagas na área de educação com salários de até R$ 4,5 mil



Estão abertas, a partir desta terça-feira (12), as inscrições para uma seleção simplificada com 395 vagas para profissionais da área de educação em Pernambuco. As oportunidades são para profissionais dos níveis médio e superior, para atuar no Programa Nacional de inclusão de Jovens (Projovem Urbano). Os salários variam de R$ 1,3 mil a R$ 4,5 mil.



As inscrições podem ser feitas até o dia 26 de junho no site da secretaria de Educação. As vagas são para assistentes administrativos, pedagógicos jurídicos, técnicos de nível médio, professores e intérpretes de Libras. A seleção é feita em uma etapa única, por meio de análise de experiência profissional e de títulos.

De acordo com o edital, há vagas em municípios da Região Metropolitana do Recife, da Zona da Mata, do Agreste e do Sertão. O documento pode ser encontrado no Diário Oficial do Estado desta terça-feira (12).


A divulgação do resultado preliminar está prevista para o dia 30 de junho. Após o envio de recursos, previsto para acontecer entre os dias 2 e 4 de julho. Já a divulgação do resultado final está prevista para acontecer no dia 5 de julho.

Fonte-G1 Caruaru e região

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Cadeirantes contam como resgataram autoestima mesmo com preconceitos

A vida da artista plástica Kallyna Sampaio mudou completamente quando, aos 22 anos, sofreu um acidente de carro. Há dois anos, o capotamento e a fratura da cervical deixaram a jovem tetraplégica, seu amigo que dirigia o veículo morreu na hora. O trágico acidente não impediu Kallyna de seguir em frente.


No início deste mês, a jovem foi a vencedora do concurso de beleza Miss Cadeirante, etapa Distrito Federal. Além de vencer a disputa, mostrou a importância da autoestima.


Cercada por estigmas e preconceitos, a vida da mulher cadeirante pode ser exemplo de força e superação. Em entrevista, três mulheres contam como aprenderam a lidar com sua nova condição e a valorizar as pequenas conquistas do dia a dia.


Foto: Kallyna Sampaio - arquivo pessoal


“O concurso caiu como uma luva, me deu objetivos de vida que eu não tinha antes. Agora, vou fazer um curso de moda, quero ser referência de estilo”, conta. A jovem sonha em concluir uma graduação na área e abrir a própria grife de roupas.


 
Além da moda, Kallyna compartilha suas experiências diárias em um canal no Youtube. Na plataforma, a jovem detalha exercícios e terapias que as ajudam no resgate de seus movimentos e também na sua feminilidade. Nos vídeos, dá dicas de maquiagens, superação e autoestima para seus seguidores.


“Por incrível que pareça, as pessoas se tornam muito melhor depois de sofrerem um acidente. É um divisor de águas na vida. Quando estou triste, me dou o direito de passar um dia triste, apenas um dia. Eu choro, enxugo as lágrimas e no outro dia já levanto bem. Penso que tenho todos os outros dias para ser feliz. Mas para isso, autoestima é fundamental. Eu valorizo a minha vida e inclusive sou até mais social do que antes”, descreve Kallyna.

A jovem foi escolhida entre quinze concorrentes como miss por um time de 13 jurados entre médicos, psicólogos e fisioterapeutas. Em novembro, representará o Distrito Federal na etapa nacional do concurso. “A limitação do movimento não pode ser a limitação da vida”.



Mãe Cadeirante


A rotina das mães brasileiras não costuma ser uma tarefa simples para administrar: escola, creche, alimentação e diversão. Jovelina Oliveira, de 29 anos, paraplégica há sete anos, enfrenta os mesmos desafios ao criar seus dois filhos e ainda dribla, com muita dedicação, a limitação dos seus movimentos. “Ao descobrir que estava paraplégica, achei que tinha morrido e não tinha sido enterrada”, conta.



Jovelina teve o segundo filho, quando já usava cadeira de rodas, e hoje, divorciada, administra sozinha a rotina deles. “Tive que reaprender tudo. Foram alguns anos e muita fé, mas redescobri a sexualidade, a mulher que estava dentro de mim e eu mesma estava matando. Uma mulher na cadeira de rodas pode ser bonita, desde que tenha amor-próprio. Quando eu entendi isso, passei por uma transição da mulher que era andante para a cadeirante. Descobri que enquanto há vida, há esperança.”, diz. A jovem ficou paraplégica ao ser atingida por cinco tiros após discussão com uma vizinha.


“Quando meu segundo filho nasceu, eu já era cadeirante. A vida precisa ter sentido. Não posso parar, tenho muitos planos. Ainda quero fazer faculdade e escrever um livro contando a minha história, falar dos tabus a respeito da sexualidade da cadeirante. A gente precisa saber que é possível superar as dificuldades”, explica.


Empatia


Há seis anos, Stefanny Fernandes Freitas, de 25 anos, sofreu um acidente de trânsito e também ficou paraplégica. De carona na moto de um amigo, foi atingida por outro carro quando o sinal fechou. Ao todo, foram 30 dias de internação entre a vida e a morte.


Durante o período de tratamento, foi descoberto um tumor raro, no canal entre umbigo e a bexiga. Como era inicial e assintomático, Stefanny provavelmente não teria descoberto o câncer caso não tivesse sofrido o acidente. “Pela gravidade do tumor, eu poderia morrer em dois anos, caso não tivesse descoberto naquele momento. Só isso já me ensinou a ver tudo que passei de uma outra forma”, conta.


Stefanny se redescobriu como uma mulher bonita depois do acidente ao participar de sessões de maquiagem com uma amiga e, atualmente, faz da própria maquiagem a sua profissão. “Ela me resgatou. Além de me cuidar, eu vendo beleza e autoestima para outras pessoas. O cadeirante ainda sofre muito preconceito. Mas eu saio, faço festas. De tanto me falarem que eu era bonita, acreditei”, diz. “Essa experiência me ensinou muito sobre empatia, como me colocar no lugar do outro. Me fez também querer ajudar, porque eu recebi muita ajuda”, completa.

Terapia

O resgate da autoestima e a redescoberta do corpo da mulher passam por um processo, que muitas vezes depende da ajuda profissional de um psicólogo. Segundo a doutora em Psicologia Clínica e da Saúde pela Universidade de Barcelona e membro do Conselho Federal de Psicologia (CFP), Daniela Zanini, o tratamento é fundamental no auxílio da restituição da autoestima, na redescoberta da sexualidade, assim como em atividades como trabalho, relações com filhos e a reinserção social.


“O processo de adaptação é muito significativo e dependendo de como ela lida, terá um maior nível de bem-estar. Caso contrário, a mulher pode desenvolver transtornos como quadros depressivos, ansiedade ou mesmo fobia social”, explica a psicóloga.

Segundo Daniela Zanini, o protocolo de tratamento inclui um “processo de luto”, em que a mulher compreende a perda de mobilidade e a valorização da vida. “Todos esses processos com perdas significativa, a gente trabalha o processo de luto, que não e só quando a pessoa morre. É refente a processos simbólicos de encerrar um determinado processo da vida e iniciar um outro, que implica, inclusive, novas formas de adaptações ao mundo”, afirma.


“O primeiro momento é o luto, a perda da mobilidade desse membro, da perda de alguns aspectos da independência funcional. Mas, posteriormente, é importante trabalhar os recursos que essa pessoa dispõe para adaptar. O que acontece algumas vezes é que a gente se acostuma tanto a um modelo de vivência, que não consegue pensar em outras formas”, aponta. “É importante focar em aspectos positivos, não naquilo que perdeu. Mas no que ela ainda tem e como, a partir dos recursos que ainda tem preservado, pode se adaptar a nova condição de vida. A partir de uma adversidade, é comum se descobrir competências, habilidades, pessoas significativas na vida, e esse acaba sendo um processo de aprendizagem”, completa.

A psicóloga explica ainda que a sexualidade tende a ser recuperada quando a mulher compreende o aspecto de forma mais ampla. “A sexualidade é muito mais que o ato sexual em si, e nesse sentido que pode até ter ficado comprometido aspectos específicos, mas ela ainda tem uma gama de outras questões que pode acionar para exercer sua sexualidade. Uso da criatividade, intimidade, o que pode ser um caminho para novas descobertas e até mais intimidade com o parceiro”, avalia.



domingo, 3 de junho de 2018

Xadrez: Nesse jogo, a lógica é a verdadeira visão

  
                                             Jeferson Lisboa Teles, presidente da FBXDV


Caso me fosse oferecida a escolha de qual sentido perder, na possibilidade de ressaltar as qualidades dos outros quatro restantes, acredito que a visão seria minha última opção - tal motivação é meramente particular. Para Jeferson Lisboa Teles, alternativas não foram dadas. Quando uma catapora atrofiou o seu nervo óptico, há 20 anos, ele deixou de enxergar. Naturalmente, percebeu uma gradativa evolução da sua sensibilidade. Intensificou, assim, seus estudos em um esporte, até então, encarado por ele como um hobby. Hoje, aos 39 anos, é o presidente da Federação Brasileira de Xadrez para Deficientes Visuais (FBXDV). Bem humorado, fez logo questão de interromper: “Calma... Isso não significa que sou um ótimo jogador. Sou, apenas, mediano”. Modesto? Talvez. Sua vaidade, no entanto, ganhou espaço em outra afirmação: “Agora... Contra ‘videntes’, tenho lá as minhas vantagens, viu?!”. O estranhamento foi imediato.


Como seria possível alguém, que não pode ver, sobressair contra outro, “vidente” (como são chamados aqueles que enxergam), em um esporte onde a visão é teoricamente necessária? “Normal a dúvida (Risos). Mas o que muita gente não sabe é que o xadrez é um dos únicos esportes que é possível, pra pessoa com deficiência, jogar de igual para igual com quem enxerga”, disse Jeferson Lisboa, que tinha uma preferência maior pelo Judô, do qual é professor. “E faixa preta, não esqueça!” Suas justificativas são simples: “Primeiro... o xadrez é um esporte que desenvolve o raciocínio lógico. Segundo... sua concentração é alterada. Por fim... Ele inclui. Não há limites para se jogar xadrez”. Inclusão. Esta palavra, inclusive, parece ter sido adicionada como uma espécie de sinônimo ao esporte. Afinal foi incansavelmente repetida pelos participantes da etapa pernambucana da Copa do Brasil de Xadrez para Deficientes Visuais, disputado no Recife, há três semanas.


O xadrez jogado por pessoas cegas não tem regras diferentes. Ao contrário de oponentes videntes, no entanto, Jeferson Lisboa lê o tabuleiro com as mãos. Cabe a seus dedos identificar os peões, torres e bispos. Adaptações também se fazem necessárias. Em vez de um tabuleiro, são usados dois. Cada movimento de peça é acompanhando também pela etapa da oralidade da jogada e ambos os adversários precisam reproduzir no seu tabuleiro o passo seguinte anunciado pelo adversário. “Isso é necessário porque, senão, seriam quatro mãos tateando em um mesmo tabuleiro. Íamos nos atrapalhar constantemente”, contou Jeferson Lisboa. Sob uma ótima mais atenta dos curiosos, é possível também reparar que as casas pretas têm altura diferente das brancas, bem como as peças de uma das cores se distinguem no tato - normalmente são ásperas. Abaixo delas, há pinos para que fiquem presas a pequenos buracos no tabuleiro. É para não cair enquanto o enxadrista faz a leitura de jogo com as mãos.



O professor Emiliano Piskator desembarcou na Copa do Brasil de Xadrez para Deficientes Visuais levado pelo entusiasmo.“Rapaz... Quando soube que haveria um evento de xadrez, aqui no Recife, não pensei duas vezes. Tive de prestigiar, e oferecer meus serviços.” Ao contrário de Jeferson, ele enxerga. Viu naquela situação, inclusive, uma ótima oportunidade para ensinar e aprender. Graduado em Educação Física, acumula projetos sobre o jogo de xadrez. Ensina o esporte há mais de 25 anos, faz palestras em todo Brasil.


“Eu comecei a jogar porque me sentia sozinho, quando criança. O meu primeiro tabuleiro, eu levava para a rua apenas para ser observado. Ver as pessoas olharem e exclamarem: ‘Nossa, como ele é inteligente... Sabe jogar xadrez!’ O primeiro elogio que recebi na vida foi por conta do xadrez. Eu fui incluído. Assim como todos esses atletas aqui merecem a inclusão”, disse Piskator, pouco antes de expressar a maior lição que o esporte já lhe deu. “Óbvio que vencer é bom. Mas, no xadrez, perder também significa vencer. Porque quando se perde você observa os seus próprios erros. O principal adversário é você mesmo. Então estamos em constante evolução”, afirmou. E Jeferson não o deixa mentir: “Com o xadrez a minha vida ganhou um sentido diferente. No final, o resultado é o que menos importa. De verdade”.


FOTO, VÍDEO E FONTE-Folha de PE

terça-feira, 29 de maio de 2018

Brasil: Pessoas com deficiência são confinadas em péssimas condições


Milhares de crianças e adultos com deficiência no Brasil estão confinados em instituições de acolhimento, sem necessidade, e podem enfrentar negligência e abuso, afirmou a Human Rights Watch em um relatório divulgado hoje. O Brasil deveria priorizar formas de apoio a pessoas com deficiência que lhes permitam viver de forma independente e em suas comunidades, em vez de segregados em instituições.

O relatório de 86 páginas, “‘Eles ficam até morrer’: uma vida de isolamento e negligência em instituições para pessoas com deficiência no Brasil[ND1] ”, conclui que muitas pessoas com deficiência no país entram em instituições ainda quando crianças e lá permanecem por toda a vida. A maioria das instituições visitadas por pesquisadores da Human Rights Watch não provia mais do que as necessidades básicas de seus residentes, como alimentação e higiene, com poucas oportunidades de contato relevante com a comunidade ou de desenvolvimento pessoal. Alguns residentes são amarrados às camas e recebem sedativos para controle de comportamento.


“Muitas pessoas com deficiência no Brasil estão presas em instituições em condições deploráveis, sem controle sobre suas próprias vidas”, disse Carlos Ríos-Espinosa, pesquisador sênior da divisão de direitos das pessoas com deficiência da Human Rights Watch e autor do relatório. “O governo brasileiro deveria garantir que pessoas com deficiência tenham o apoio que precisam para viver em sociedade, assim como todas as outras pessoas.”


O relatório foi feito com base em visitas a 19 instituições de acolhimento nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia e no Distrito Federal, além de 171 entrevistas com pessoas com deficiência, incluindo 10 crianças, bem como familiares, funcionários de instituições, especialistas em direitos das pessoas com deficiência e autoridades públicas de todas as esferas de governo.


Muitas dessas instituições tinham um ambiente que lembrava centros de detenção, segundo a Human Rights Watch. Algumas usam grades em suas portas e janelas. As condições são muitas vezes desumanas, com dezenas de pessoas amontoadas em alas cheias de camas, dispostas uma ao lado da outra. A maioria dos adultos e crianças com deficiência nas instituições visitadas tinha poucos itens pessoais, quando tinham algum. Em alguns casos, os residentes compartilhavam roupas e, em uma das instituições, até mesmo escovas de dente. Muitas pessoas ficavam confinadas em suas camas ou quartos 24 horas por dia.


A maioria das crianças com deficiência nas instituições tinha limitado – ou nenhum – acesso à educação. Estudos mostram que o desenvolvimento físico, intelectual e emocional de crianças pode ser prejudicado pela ausência de apoio individualizado e pessoal por parte de um cuidador. A maioria das crianças em instituições de acolhimento visitadas pela Human Rights Watch tem pais vivos, mas com o tempo muitas vezes perde o contato com suas famílias.


“Muitas vezes as crianças com deficiência acabam em instituições no Brasil porque suas famílias enfrentam uma batalha para cuidar delas sem os recursos e os serviços necessários na comunidade”, disse Carlos Ríos-Espinosa. “Todas as crianças têm o direito de crescer em família; e os recursos do governo devem ser empregados para apoiar as famílias e suas crianças, e não separá-las.”

No Brasil, juízes determinam a institucionalização de uma criança em casos excepcionais – quando a criança está em risco de abandono, negligência ou violência, e não há soluções alternativas possíveis. Mas crianças com deficiência acabam ficando em instituições por muito mais tempo que o limite legal de 18 meses, não raro indefinidamente. Embora o Brasil conte com programas de adoção e acolhimento familiar, essas opções devem ser melhor desenvolvidas para incluir crianças com deficiência, afirmou a Human Rights Watch.





A Human Rights Watch encontrou diversos casos de pessoas com deficiência que estavam vivendo em instituições a vida toda, incluindo um homem de 70 anos com deficiência intelectual que vivia em uma delas desde os 5 anos de idade.

Muitos adultos em instituições são privados de sua liberdade, em violação às obrigações do Brasil perante o direito internacional, pois foram colocados ali, sem seu consentimento, por um responsável legal e não têm o direito de contestar a própria institucionalização. Mediante pedido de um parente ou da direção de uma instituição, os tribunais podem privar pessoas com deficiência de sua capacidade legal, ou do direito de tomar decisões por conta própria. Um curador passa a tomar todas as decisões pela pessoa, incluindo, em alguns casos, a decisão de colocá-las em uma instituição. Uma vez institucionalizadas, elas não podem sair a menos que o responsável legal esteja de acordo.

A maioria das pessoas que vivem em instituições de acolhimento não pode fazer escolhas do dia a dia, como o que e quando comer, com quem se relacionar, qual programa de televisão assistir, e se quer sair e participar de alguma atividade de lazer.


Carolina, 50 anos, sofreu uma lesão na coluna, decorrente de violência doméstica, que a deixou com uma deficiência física permanente. Seus filhos então a colocaram em uma instituição perto de Brasília. Ela descreveu sua vida: “Este lugar é muito ruim, é como uma prisão. Eu não quero ficar aqui. Eu sou obrigada a estar aqui. Meus filhos não querem me ajudar em casa. Embora dois dos meus filhos venham me visitar a cada duas semanas, eu nunca saio. Eu gostaria de sair, ir embora daqui. É o meu sonho. Quando você fica assim [com uma deficiência], acabou.”


Em uma instituição em Salvador, na Bahia, um jovem de 18 anos com uma deficiência progressiva que enfraqueceu gradualmente seus músculos das pernas tinha dificuldade de sair do quarto, o qual compartilhava com outra pessoa. Ele não tinha cadeira de rodas e andar sozinho era extremamente doloroso. Embora a instituição estivesse a apenas 200 metros do oceano, ele não conseguia ir à praia e disse que seu sonho era "ver o mar".


Os responsáveis pela administração de várias instituições afirmaram que não tinham funcionários em número suficiente para dedicar atenção individualizada a cada um dos residentes, incluindo crianças. A maioria das instituições de acolhimento no Brasil é administrada de forma privada. Quase 70% delas têm convênios com os governos municipais, segundo informação fornecida pelo Ministério do Desenvolvimento Social em resposta à pesquisa da Human Rights Watch.

Nos termos da Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (CDPD), ratificada pelo Brasil, os governos devem respeitar a dignidade inerente às pessoas com deficiência, reconhecendo-as como pessoas em igualdade de condições com as demais. Isso inclui garantir que pessoas com deficiência possam viver de forma independente na comunidade, e não segregadas e confinadas em instituições. Nos termos da convenção, os governos também devem evitar a discriminação e o abuso contra pessoas com deficiência e remover barreiras que impeçam sua plena inclusão na sociedade. Todas as crianças, incluindo crianças com deficiência, têm o direito de crescer com sua família. Nenhuma criança deve ser separada de seus pais em razão de uma deficiência ou de pobreza.


“Institucionalizar pessoas com deficiência é desumanizante”, disse Carlos Ríos-Espinosa. “Existe uma crença enraizada de que pelo menos algumas pessoas com deficiência precisam viver em instituições, mas isso simplesmente não é verdade. Trancar as pessoas com deficiência em instituições é uma das piores formas de exclusão e discriminação.”