Quem sou eu

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Um ser humano simples com defeitos, virtudes e que a cada dia procura viver de uma forma mais coerente possível para ser feliz. Sou cadeirante desde 1977 devido a poliomielite (Paralisia infantil), blogueiro, ex Locutor do telemensagem Shalom, estou novamente como presidente da A.D.C.C.-ASSOCIAÇÃO DOS CADEIRANTES DE CARUARU,bailarino,ex secretário e conselheiro do COMUD- Conselheiro municipal de defesa dos direitos das pessoas com deficiência,e AGORA ESTUDANTE DE ECONOMIA NA UFPE(Passei a emoção é inexplicável)!

quinta-feira, 26 de março de 2015

Benefício pago a deficiente não entra no cálculo de renda familiar

A 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça estendeu aos deficientes um critério já aplicado aos idosos para a concessão do chamado benefício da prestação continuada.
Definido em recurso repetitivo, o entendimento é que, para fins do recebimento do benefício de prestação continuada, deve ser excluído do cálculo da renda da família o benefício de um salário mínimo que tenha sido concedido a outro ente familiar idoso ou deficiente.

A prestação continuada é a garantia de um salário mínimo à pessoa com deficiência e ao idoso com 65 anos ou mais que comprovem não possuir meios de prover a própria manutenção nem de tê-la provida por sua família.

Como aconteceu por meio de recursos repetitivos, a decisão vai orientar a solução de todas as demais causas idênticas, e não mais serão admitidos recursos para o STJ que sustentem tese contrária.
Segundo o processo, o deficiente teve o benefício cortado pelo fato de sua mãe já receber o benefício de pensão por morte do marido no valor de um salário. O recurso foi interposto no STJ pelo Ministério Público Federal contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
O INSS alegou que o deficiente não era hipossuficiente, pois, com a pensão por morte recebida pela mãe, a renda familiar per capita superava 1/4 do salário mínimo, requisito previsto na lei para o benefício de prestação continuada.


Interpretação extensiva
A 1ª seção se baseou no artigo 543-C do Código de Processo Civil, para fixar a tese de que o benefício previdenciário ou assistencial no valor de um salário mínimo, recebido por idoso ou deficiente que faça parte do núcleo familiar, não deve ser considerado na aferição da renda per capita prevista no artigo 20, parágrafo 3º, da Lei 8.742/93, diante da interpretação do que dispõe o artigo 34, parágrafo único, da Lei 10.741/03 (Estatuto do Idoso).

O parágrafo 3º do artigo 20 da Lei 8.742 determina como hipossuficiente a pessoa com deficiência ou idosa a família cuja renda mensal per capita seja inferior a 1/4 do salário mínimo.
O artigo 34 do Estatuto do Idoso prevê que às pessoas com mais de 65 anos que não possuam meios para prover sua subsistência, nem de tê-la provida por sua família, é assegurado o benefício de um salário mínimo.

Por analogia, os ministros concluíram que o artigo 34 do Estatuto do Idoso deve ser aplicado ao deficiente. Segundo parágrafo único, o benefício já concedido a qualquer membro da família não será computado para os fins de cálculo da renda familiar a que se refere a Lei 8.743.


Segundo o relator, ministro Benedito Gonçalves, o artigo 203 da Constituição Federal, quando prevê o benefício no valor de um salário mínimo, não faz distinção entre tais grupos sociais, mas os trata com igualdade.
Para o ministro, a aplicação da analogia nesse caso segue os princípios da isonomia e da dignidade da pessoa humana. Ele citou como precedentes o RE 569.065 e o RE 580.963, nos quais foi dado tratamento isonômico ao deficiente perante o Estatuto do Idoso, contrariando a interpretação sustentada pelo INSS.

[ Fonte – Conjur ]

quarta-feira, 25 de março de 2015

Criança perde visão e parte do rosto após coceira: 'ninguém sabe o que é'

DO G1  BA

Uma menina de 5 anos do sul da Bahia perdeu a visão dos dois olhos e parte do rosto, e a família não consegue descobrir qual a doença da criança nem como tratá-la.
A mãe de Pyetra Jesus Santana conta que tudo começou com uma coceira. "Começou coçando o olho direito, ela ficou cega. Depois o esquerdo, e ela ficou cega desse olho também. Passou para a boca, nariz e o céu da boca está todo aberto", afirma Adrielle do Santos de Jesus, de 22 anos.
Ela e a filha chegaram a Salvador no início da semana em busca de um médico que aponte a causa do problema e ajude a reconstruir o rosto de menina.
A criança coça bastante a face e já não possui mais dentes. A região do nariz tem uma fenda que atinge o céu da boca e, por isso, ela já não fala e se alimenta por sonda.


Pyetra também não anda, segundo a mãe, pois as pernas já atrofiaram por passar muito tempo deitada. "Levo em clínicas de fisioterapia e quando veem ela, se negam a atendê-la", afirma Adrielle.
Na tentativa de agendar uma consulta pela rede pública de saúde, a mãe, que não possui parentes na capital baiana, está hospedada em um hotel e recebe ajuda financeira de índios – ela integra a tribo Pataxó. Mãe e filha moravam na aldeia Renascer, próximo à cidade de Alcobaça. Adrielle também recebe dos pais ajuda para cuidar de Pyetra.


Problemas de saúde
A criança nasceu quando a mãe ainda tinha 17 anos, na cidade de Itamaraju, também no sul do estado. Quadro dias após o parto, Adrielle descobriu que a bebê tinha doença no coração e que ele crescia rápido demais, afirma.
Meses depois, soube que a menina poderia fazer a cirurgia em Vitória, Espírito Santo, e foi para lá. Morou por um ano e dois meses na cidade e decidiu voltar para a Bahia.

 inha risco de passar para o outro olho", diz Adrielle.
Segundo ela, alguns meses depois, a criança começou a coçar o olho esquerdo e acabou ficando cega desse olho também. "Parecia que era algo que comia o olho da minha filha. Enquanto isso, eu ia a um monte de médico e ninguém conseguia descobrir nada. Com o tempo, a coceira passou para a boca e para o nariz", afirma a mãe.
Ela conta que um médico em Teixeira de Freitas fez uma biópsia que não apontou nenhuma causa. "Então ele mandou que eu procurasse um cirurgião plástico, em Salvador, para que pudessem reconstituir o rosto da minha filha."

Especialista
O G1 buscou ajuda de uma médica especialista em dermatologia para entender o problema de Pyetra. A médica Cristiana Mendonça afirmou que, mesmo que a biópsia não tenha indicado resultado definitivo, seria necessário continuar com a investigação de outras doenças.
"No exame tem descrição que dá noção para que lado o médico deve pesquisar a doença, falando mais a favor de um grupo de doenças. É isso que vai dar o norte ao médico para ele investigar o que pode está acontecendo com o paciente", explica. Como ela não tem acesso ao histórico do paciente, não pôde indicar a origem do caso.
Uma consulta com um médico cirurgião está marcada para o dia 31 de março no Hospital Gesteira, unidade de referência da rede pública especializado em crianças, quando será avaliado se o tratamento poderá ser realizado no local.
A reportagem procurou também uma das unidades no interior baiano em que a criança já tinha sido atendida. De acordo com o local, Pyetra deu entrada para diversos atendimentos a exemplo de episódios de diarreia, anemia, pneumonia e febre. A unidade de saúde, entretanto, afirma que ela já tem um problema de base desde o nascimento, que seria uma espécie de paralisia cerebral e, em decorrência do quadro neurológico, ela se automutila.
Adrielle teme que a fenda no rosto se abra mais e que a menina não aguente as dores. "Eu fui ao cirurgião plástico porque não sei quem pode me ajudar, eu estou indo a tudo. Acho que um cirurgião só poderá me ajudar quando descobrirmos o que ela tem", disse a mão.
Ela afirma que procura tratamento para as coceiras desde quando a criança tinha um ano de idade. "Só quero que alguém me diga quem devo procurar porque preciso ao menos saber o que minha filha tem", afirmou a mãe.


Deficiente Física encontra seu amor num site de relacionamento

A matéria abaixo foi extraída do Blog Namoro Poderoso.
Por Vera Garcia*


Assim como você estava em busca de um grande amor. Conheci alguns homens na vida real, mas por nenhum senti algo muito especial.

Já tinha ouvido várias histórias de sucesso e fracasso em namoro pela internet. Sempre pensava: “encontrar um homem honesto na vida real já é difícil, imagine no mundo virtual”.Entretanto em 2006 resolvi entrar pela primeira vez numa sala de bate-papo. Ali entrei em contato com homens de todos os tipos: homens de bom caráter, carentes, alegres, obsessivos…

Em salas de bate papo você precisa se preocupar muito com quem você está trocando ideias. Em minha opinião, se você está procurando o amor da sua vida, a sala de bate-papo virtual não é, atualmente, o lugar indicado. Mas se quer apostar nisso, aprenda a separar o joio do trigo, use a internet a seu favor. Fique atenta ou atento aos riscos que você corre ao navegar nesse mundo, pois sabemos que há muitos golpistas nesse meio.

Como sempre estive muito atenta aos os golpes da internet, graças a Deus, nunca passei por situação constrangedora ou humilhante, ou seja, nada que de alguma forma me deixasse desconfortável ou me prejudicasse.

Após a experiência em salas de bate-papo resolvi participar de um site de relacionamento. Fiz várias pesquisas no Google de um site que realmente fosse confiável e acabei encontrando o site Coroa Metade… e meu marido (risos).

Mesmo sabendo que o site Coroa Metade era mais seletivo não descuidei da minha segurança. Fiz meu cadastro, preenchi meu perfil e recebi mensagens de alguns pretendentes, porém a mensagem que mais me chamou a atenção foi a do meu esposo. Quando vi o perfil dele, percebi que ele tinha muita coisa a ver comigo, entre elas, ele estava disposto a assumir um compromisso. Respondi a mensagem dele e assim tudo foi caminhando. Fizemos tudo com muita calma… sem pressa. Tudo o que ele me dizia, procurava checar para ver se era verdade. Não me contentava com referências virtuais, queria saber se ele realmente existia e onde morava. Primeiro trocamos vários emails e depois vieram os telefonemas. Através dos telefonemas ficava atenta para ver se ele entrava em contradição com algo que havia dito, garanto que ele fazia o mesmo (risos).

Após os telefonemas marcamos um encontro num local público. Local público com grande circulação de pessoas, como shopping, é o melhor lugar para marcar encontro, pois qualquer problema que surgir você pode pedir socorro (risos). Brincadeira a parte, eu havia comunicado minha família sobre esse encontro e o horário que eu deveria retornar. Após três encontros começamos a namorar e percebemos que um completava o outro.

Hoje estamos casados e muito felizes. Falamos a mesma “língua” e temos gostos parecidos, enfim ele é minha alma gêmea. Se alguém me falasse um tempo atrás que era possível encontrar um grande amor na internet, não acreditaria. Hoje posso comprovar que isso é verdade.

Espero que esse blog de alguma forma possa ajudar você a encontrar seu grande amor.

*Vera Garcia: Blogueira, pedagoga, criadora e administradora dos blogs Namoro Poderoso e Deficiente Ciente. Sofreu um acidente aos onze anos de idade o que a tornou amputada do membro superior direito.)

Um casting diferente


DO FATE MULHER

Depois que sofri o acidente de carro que me deixou paraplégica, eu demorei 4 anos para voltar ao mercado formal de trabalho, um tempão! E isso impacta na nossa vida social, psicológica e… Financeira! Sim porque as contas continuaram a chegar lá em casa, aliás, elas até aumentaram bastante, pois passei a ter alguns gastos que não tinha antes.
A primeira oportunidade que eu tive, foi fazer a recepção em um stand da marca de cadeira de rodas que eu usava, a extinta TokLeve, comandada pelo Paulo Fernandes, cadeirante e empresário. Foi inovador na época, pois, não era comum uma moça cadeirante fazer a recepção de um stand! Muitas pessoas me perguntavam se eu era cadeirante mesmo ou se estava fingindo pra demonstrar a cadeira! Vocês acreditam? Engraçado, pois era uma feira que vendia produtos exatamente para pessoas com deficiência, tinha tudo a ver! Foi o primeiro dinheiro que ganhei com meu suor após a lesão.


                                              Foto de 2004 – Stand da TokLeve na Reatech

Durante um bom tempo eu fiz recepção de eventos, e comecei a selecionar cadeirantes para trabalhar comigo nos stands que eu trabalhava. Percebi que aquela era uma ótima oportunidade para quem tinha adquirido a deficiência há pouco tempo, que não tinha oportunidade e ainda estava em dúvida se aguentaria trabalhar o dia todo!
Quando assumi a coordenação e seleção de cadeirantes e me destaquei nas vendas fui fazer evento até em Portugal!

                                                                 Mobilitec – Portugal 2011

                                                             Mobilitec – Portugal 2011


                                     Stand da Cavenaghi e da Tokleve em 2006 em um Simpósio

                        Feira de Produtos de Beleza, com o antigo Projeto Maria Perez em 2006

                                     Fernanda Bianchi no stand da Honda na Reatech em 2013


                                                  Stand da Mobility Brasil da Reatech 2012

                                                 Stand da Mobility Brasil na Reatech 2013


                                                Stand da Mobility Brasil na Reatech 2011



A partir de então esse também foi o primeiro trabalho de muitas garotas e garotos cadeirantes.
Comecei então a fazer a provocação para algumas agências e enviar meu material, e fiz alguns eventos que não tinham a ver com pessoas com deficiência, e foi tão legal quanto!

Quando parei de fazer eventos, comecei a receber ligações de muitas pessoas pedindo indicação de garotas cadeirantes ou intérpretes de Libras para recepção de eventos e eu indicava. Então começaram a me ligar muito em alguns períodos sazonais e eu estava praticamente trabalhando de graça, foi aí que fiz uma parceria com a Mania de Eventos, empresa de uma amiga, para agenciar esse público!
Trabalhei para a Cavenaghi, Promo Sapiens com a Honda e Toyota, Grupo Boticário, Mobility Brasil, Movimento Saúde Corporativa, Comitê Paralimpíco Brasileiro, etc.
Hoje a Mania de Eventos já tem um casting de pessoas com deficiência e interpretes de Libras!
Outra empresa que valoriza as diferenças no receptivo, com recepcionistas cadeirantes e com síndrome de Down é a Torresan Eventos!

Fico feliz em ver essas duas empresas engajadas na diversidade.
Penso que ter uma pessoa com deficiência na frente de um trabalho, é um diferencial, agrega valor e é positivo à imagem da empresa. O que antes era “apelo” hoje virou “negócio”.
Muita coisa mudou, e hoje já é comum ver meninas lindas com deficiência em feiras e eventos, e aos pouquinhos vamos conquistando eventos que não tem a ver com o público de pessoas com deficiência também, como na foto abaixo: a Denise Ferreira e a Vanessa Romanelli, no salão do automóvel!




Mesmo assim, faço uma provocação pra você empresário, você já pensou em ter recepcionistas com deficiência em seu evento?
Você pessoa com deficiência, já pensou que esse pode ser um recomeço?
E vocês agências, já pensaram em inovar em seu casting?
Fica a dica inclusiva!
Deixo abaixo os contatos da
Mania de Eventos: www.maniadeeventos.com.br
Torresan Eventos: http://www.torresan.com.br/torresan.htm


 Stand da Mobility Brasil – Reatech 2013 – Tabata Contri, Tina da TiLite, Fernando Fernandes e Dani Nobile



Beijokas ;)
Tabata Contri

Sem carro e sem asfalto, mãe de três cadeirantes sofre para tirá-los de casa


Do G1

É difícil chegar ao casebre da dona de casa Aparecida Mendes, em Paiçandu, no norte do Paraná. O carro se bate todo, as rodas se enfiam em buracos enormes, a poeira vermelha sobe e sufoca. Se já é difícil de carro, imagine empurrar cadeiras de rodas neste terreno acidentado. Mãe de três adolescentes cadeirantes, Aparecida sequer tem veículo para encarar a ladeira de terra, vizinha a uma linha de trem desativada e a uma penitenciária estadual.
Para levar os meninos a algum lugar, vai a pé mesmo, "no braço". As cadeiras saem aos solavancos da casa e, com dona Aparecida na condução, brigam com as muitas pedras esparramadas pelo caminho. Não é raro quando as rodas enroscam e causam pequenos acidentes. E há um detalhe: quando um dos filhos sai, o outro tem que ficar em casa.


"Eles só conseguem sair se eu paro tudo o que eu 'tô' fazendo e empurro a cadeira. Uma de cada vez, claro. Não tem outro jeito, né? Quando temos que ir até o centro, eu subo tudo isso no braço, na força mesmo. Impossível viver aqui!", diz a dona de casa, com um sorriso sem graça.
Pedro, de 13 anos, Anderson, 18, e Carlos, 19, nasceram com a mesma doença nas pernas, conforme a mãe. Ela não sabe explicar o que é, com detalhes técnicos. Diz apenas que é "um problema nos nervos". Patrícia, de 16, é a única entre os filhos que consegue se locomover normalmente.
A família mora há cerca de quatro anos na casa, alugada por R$ 380 mensais. É a penúltima antes do fim da rua e do começo de um matagal. Para facilitar a saída dos rapazes, não há muros ou portão. Dentro, nenhuma porta, com exceção do banheiro, divide um cômodo do outro.

terça-feira, 24 de março de 2015

Formas criativas para estimular a mente de alunos com deficiência


CONCENTRAÇÃO Enquanto a turma lê fábulas, Moisés faz desenhos sobre o tema para exercitar o foco. Foto: Tatianal Cardeal


 Do Gente que Educa


 De todas as experiências que surgem no caminho de quem trabalha com a inclusão, receber um aluno com deficiência intelectual parece a mais complexa. Para o surdo, os primeiros passos são dados com a Língua Brasileira de Sinais (Libras). Os cegos têm o braile como ferramenta básica e, para os estudantes com limitações físicas, adaptações no ambiente e nos materiais costumam resolver os entraves do dia-a-dia.

Mas por onde começar quando a deficiência é intelectual? Melhor do que se prender a relatórios médicos, os educadores das salas de recurso e das regulares precisam entender que tais diagnósticos são uma pista para descobrir o que interessa: quais obstáculos o aluno enfrentará para aprender - e eles, para ensinar.


 No geral, especialistas na área sabem que existem características comuns a todo esse público (leia a definição no quadro desta página). São três as principais dificuldades enfrentadas por eles: falta de concentração, entraves na comunicação e na interação e menor capacidade para entender a lógica de funcionamento das línguas, por não compreender a representação escrita ou necessitar de um sistema de aprendizado diferente. "Há crianças que reproduzem qualquer palavra escrita no quadro, mas não conseguem escrever sozinhas por não associar que aquelas letras representem o que ela diz", comenta Anna Augusta Sampaio de Oliveira, professora do Departamento de Educação Especial da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp). As características de todas as outras deficiências você pode ver no especial Inclusão, de NOVA ESCOLA (leia o último quadro).

 A importância do foco nas explicações em sala de aula

SIGNIFICADO Na sala de recursos, elaboração de livro sobre a vida dos alunos deu sentido à escrita. Foto: Marcelo Almeida


Alunos com dificuldade de concentração precisam de espaço organizado, rotina, atividades lógicas e regras. Como a sala de aula tem muitos elementos - colegas, professor, quadro-negro, livros e materiais -, focar o raciocínio fica ainda mais difícil. Por isso, é ideal que as aulas tenham um início prático e instrumentalizado. "Não adianta insistir em falar a mesma coisa várias vezes. Não se trata de reforço. Ele precisa desenvolver a habilidade de prestar atenção com estratégias diferenciadas para, depois, entender o conteúdo", diz Maria Tereza Eglér Mantoan, doutora e docente em Psicologia Educacional da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

O ponto de partida deve ser algo que mantenha o aluno atento, como jogos de tabuleiro, quebra-cabeça, jogo da memória e imitações de sons ou movimentos do professor ou dos colegas - em Geografia, por exemplo, ele pode exercitar a mente traçando no ar com o dedo o contorno de uma planície, planalto, morro e montanha. Também é importante adequar a proposta à idade e, principalmente, aos assuntos trabalhados em classe. Nesse caso, o estudo das formas geométricas poderia vir acompanhado de uma atividade para encontrar figuras semelhantes que representem o quadrado, o retângulo e o círculo.

A meta é que, sempre que possível e mesmo com um trabalho diferente, o aluno esteja participando do grupo. A tarefa deve começar tão fácil quanto seja necessário para que ele perceba que consegue executá-la, mas sempre com algum desafio. Depois, pode-se aumentar as regras, o número de participantes e a complexidade. "A própria sequência de exercícios parecidos e agradáveis já vai ajudá-lo a aumentar de forma considerável a capacidade de se concentrar", comenta Maria Tereza, da Unicamp.
O que é a deficiência intelectual?
É a limitação em pelo menos duas das seguintes habilidades: comunicação, autocuidado, vida no lar, adaptação social, saúde e segurança, uso de recursos da comunidade, determinação, funções acadêmicas, lazer e trabalho. O termo substituiu "deficiência mental" em 2004, por recomendação da Organização das Nações Unidas (ONU), para evitar confusões com "doença mental", que é um estado patológico de pessoas que têm o intelecto igual da média, mas que, por algum problema, acabam temporariamente sem usá-lo em sua capacidade plena. As causas variam e são complexas, englobando fatores genéticos, como a síndrome de Down, e ambientais, como os decorrentes de infecções e uso de drogas na gravidez, dificuldades no parto, prematuridade, meningite e traumas cranianos. Os Transtornos Globais de Desenvolvimento (TGDs), como o autismo, também costumam causar limitações. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 5% da população mundial tem alguma deficiência intelectual.
Foi o que fez a professora Marina Fazio Simão, da EMEF Professor Henrique Pegado, na capital paulista, para conseguir a atenção de Moisés de Oliveira, aluno com síndrome de Down da 3ª série. "Ele não ficava parado, assistindo à aula", lembra ela. Este ano, em um projeto sobre fábulas, os avanços começaram a aparecer. "Nós lemos para a sala e os alunos recontam a história de maneiras diferentes. No caso dele, o primeiro passo foram os desenhos. Depois, escrevi com ele o nome dos personagens e palavras-chave", relata ela.


Escrita significativa e muito bem ilustrada 



COMUNICAÇÃO Vinicius superou o isolamento e melhorou a interação em atividades com imagens e sons. Foto: Léo Drumond


A falta de compreensão da função da escrita como representação da linguagem é outra característica comum em quem tem deficiência intelectual. Essa imaturidade do sistema neurológico pede estratégias que servem para a criança desenvolver a capacidade de relacionar o falado com o escrito. Para ajudar, o professor deve enaltecer o uso social da língua e usar ilustrações e fichas de leitura. O objetivo delas é acostumar o estudante a relacionar imagens com textos. A elaboração de relatórios sobre o que está sendo feito também ajuda nas etapas avançadas da alfabetização.

A professora Andréia Cristina Motta Nascimento é titular da sala de recursos da EM Padre Anchieta, em Curitiba, onde atende estudantes com deficiência intelectual. Este ano, desenvolve com eles um projeto baseado na autoidentificação - forma encontrada para tornar o aprendizado mais significativo. A primeira medida foi pedir que trouxessem fotos, certidão de nascimento, registro de identidade e tudo que poderia dizer quem eram. "O material vai compor um livro sobre a vida de cada um e, enquanto se empolgam com esse objetivo, eu alcanço o meu, que é ensiná-los a escrever", argumenta a educadora.

Quem não se comunica... pode precisar de interaçãoOutra característica da deficiência intelectual que pode comprometer o aprendizado é a dificuldade de comunicação. A inclusão de músicas, brincadeiras orais, leituras com entonação apropriada, poemas e parlendas ajuda a desenvolver a oralidade. "Parcerias com fonoaudiólogos devem ser sempre buscadas, mas a sala de aula contribui bastante porque, além de verbalizar, eles se motivam ao ver os colegas tentando o mesmo", explica Anna, da Unesp.

Essa limitação, muitas vezes, camufla a verdadeira causa do problema: a falta de interação. Nos alunos com autismo, por exemplo, a comunicação é rara por falta de interação. É o convívio com os colegas que trará o desenvolvimento do estudante. Para integrá-lo, as dicas são dar o espaço de que ele precisa mantendo sempre um canal aberto para que busque o educador e os colegas.

Para a professora Sumaia Ferreira, da EM José de Calazans, em Belo Horizonte, esse canal com Vinicius Sander, aluno com autismo do 2º ano do Ensino Fundamental, foi feito pela música. O garoto falava poucas palavras e não se aproximava dos demais. Sumaia percebeu que o menino insistia em brincar com as capas de DVDs da sala e com um toca-CD, colocando músicas aleatoriamente. Aos poucos, viu que poderia unir o útil ao agradável, já que essas atividades aproximavam o menino voluntariamente. Como ele passou a se mostrar satisfeito quando os colegas aceitavam bem a música que escolheu, ela flexibilizou o uso do aparelho e passou a incluir músicas relacionadas ao conteúdo. "Vi que ele tem uma memória muito boa e o vocabulário dele cresceu bastante. Por meio dos sons, enturmamos o Vinicius."


segunda-feira, 23 de março de 2015

Sem acessibilidade no Fórum, juiz sugere troca de advogado cadeirante

Do G1

Um advogado cadeirante que atua no Rio Grande do Sul vem enfrentando dificuldades de acessibilidade e diz que sofre situações de preconceito no Fórum de São Francisco de Paula, na Serra. Dilto Marques Nunes já perdeu duas audiências porque o prédio não possui elevador e a estrutura necessária para deslocamento interno.
Ele afirma que o juiz, além de negar pedidos para que os encontros fossem realizados no térreo, sugeriu que seu cliente trocasse de defensor por conta dos problemas de acessibilidade. “O maior problema é que estou me sentindo prejudicial à Justiça. Passo a ser, em vez de uma peça essencial, um obstáculo à aplicação da lei”, afirma Dilto, que teve dois pedidos negados para que as audiências fossem realizadas no térreo do Fórum.
O cliente dele, o aposentado Júlio Cesar Canani, confirma a “sugestão” do magistrado. “Ele disse pra mim: ‘Por que tu não botou um outro advogado? Sabia que ia ser assim’. Aí ele quis me colocar um advogado do Estado. Eu recusei. Disse que não aceito porque já tenho o meu advogado. Isso não existe”, relata.


Dilto solicitou a anulação da primeira audiência do caso. Além de acatar o pedido, o Tribunal de Justiça (TJ-RS) também garantiu ao cliente a escolha do advogado e o direito à acessibilidade. Dilto seguiu no caso e, em dezembro do ano passado, chegou a ligar um dia antes de uma outra audiência para pedir que ela fosse realizada no térreo. Mais uma vez, porém, teve o pedido negado.

“Não posso crer que um país que clama pela igualdade, por justiça e, sobretudo, por serenidade, honestidade, possa resumir as coisas desta maneira. Eu não consigo chegar na sala de audiências, não consigo trabalhar. Tenho família, tenho filhos, pensão para pagar. Até hoje não tenho resposta”, critica Dilto.
O juiz Carlos Eduardo Lima Pinto não quis gravar entrevista. Em conversa por telefone, o magistrado afirmou que o prédio do Fórum de São Francisco de Paula é da década de 1960 e que, por isso, não conta com equipamentos de acessibilidade.

 Além disso, informou que não foi possível transferir os encontros para o térreo devido à falta de recursos técnicos, como computador com o programa que é usado pelo judiciário.
De acordo com o TJ-RS, o juiz foi orientado pela Corregedoria a fazer os ajustes necessários para realizar as audiências no térreo para que o problema não se repita. “Espero que se faça justiça. Não poderia trabalhar se não acreditasse no que faço”, desabafa o advogado.

A equipe da RBS TV, que visitou o Fórum de São Francisco de Paula para mostrar os problemas de acessibilidade do local, não teve autorização para entrar no prédio. A decisão de barrar a reportagem foi do próprio juiz Carlos Eduardo Lima Pinto.