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Um ser humano simples com defeitos, virtudes e que a cada dia procura viver de uma forma mais coerente possível para ser feliz. Sou cadeirante desde 1977 devido a poliomielite (Paralisia infantil), blogueiro, ex Locutor do telemensagem Shalom,Palestrante, presidente da A.D.C.C.-ASSOCIAÇÃO DOS CADEIRANTES DE CARUARU, Ex bailarino,ex secretário e conselheiro do COMUD- Conselho municipal de defesa dos direitos das pessoas com deficiência, ESTUDANTE DE ECONOMIA NA UFPE CAA(Passei a emoção é inexplicável)! Primeiro cadeirante aprovado e sem cota em ampla concorrência. Membro do NACE-Núcleo de Acessibilidade da UFPE-CAA. Estudante em pesquisa de extensão em Direitos Humanos-UFPE CAA

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Jovem paralisado dará 'pontapé inicial' para a Copa que começa hoje


Deu no G1


O "pontapé inicial" de uma Copa do Mundo nunca envolveu tanta ciência. Nesta quinta-feira (12), a cerimônia de abertura na Arena Corinthians, que começa às 15h15, terá a participação de um jovem paraplégico. Graças a um exoesqueleto controlado diretamente pelo cérebro, ele poderá levantar de uma cadeira de rodas, caminhar alguns passos e dar um simbólico "chute inaugural" do campeonato. É esse o plano traçado pelos cientistas do projeto "Andar de novo", encabeçado pelo brasileiro Miguel Nicolelis, professor da Universidade Duke, nos Estados Unidos, e do Instituto Internacional de Neurociências de Natal – Edmond e Lily Safra (IINN-ELS).


Segundo o Comitê Organizador da Copa do Mundo, ficou decidido que este 'pontapé inicial' será realizado fora do campo de jogo, para não prejudicar o gramado por causa do peso do equipamento.

Ao todo, a façanha reúne 156 pesquisadores de vários países, que fazem parte de um consórcio internacional. O princípio envolvido no funcionamento do exoesqueleto é a chamada "interface cérebro-máquina", que vem sendo explorada por Nicolelis desde 1999. Esse tipo de conexão prevê que a "força do pensamento" seja capaz de controlar de maneira direta um equipamento externo ao corpo humano.

No caso do exoesqueleto do projeto "Andar de novo", uma touca especial vai captar as atividades elétricas do cérebro por eletroencefalografia. Quando o paciente se imaginar caminhando por conta própria, os sinais produzidos por seu cérebro serão coletados pela touca e enviados a um computador que fica nas costas da veste robótica.

O computador vai decodificar essa mensagem e enviar a ordem aos membros artificiais, que passarão a executar os movimentos imaginados pelo paciente. Ao mesmo tempo, sensores dispostos nos pés do voluntário vão enviar sinais para a roupa especial. A pessoa, então, vai sentir uma vibração nos braços toda vez que o robô tocar o chão. É como se o tato dos pés fosse transferido para os braços, naquilo que Nicolelis chama de "pele artificial".

 

A equipe do projeto está no Brasil desde março, trabalhando em um laboratório montado dentro da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), instituição parceira do "Andar de novo". Segundo nota divulgada pela assessoria de imprensa do projeto, oito pacientes da AACD já testaram o equipamento e, no dia 28 de maio, todos os "objetivos científicos, clínicos e tecnológicos" foram concluídos.

Em 16 de maio, Nicolelis já havia anunciado em sua conta no Facebook a conclusão dos testes com pacientes. "Depois de meses de treinamento, os últimos dois pacientes andaram com a ajuda do exoesqueleto e puderam desfrutar da sensação de andar de novo", escreveu o neurocientista. É um desses oito voluntários que vai se encarregar do tão esperado chute na abertura da Copa. Mas a escolha do paciente tem sido mantida em sigilo até para os funcionários da AACD.

 

Críticas
Antes de chegar a esse patamar de estudo, Nicolelis publicou em revistas científicas renomadas vários resultados envolvendo mecanismos da interface cérebro-máquina. Em um dos artigos mais recentes, um macaco foi capaz de controlar, só com a "força da mente", dois braços virtuais ao mesmo tempo. Mas, até o momento, os resultados dos testes do exoesqueleto em humanos ainda não foram publicados.

Segundo a assessoria de imprensa do projeto, os resultados finais serão apresentados nos próximos meses, por meio de publicações em revistas especializadas. Em entrevista à revista científica americana "Science" publicada na semana passada, Nicolelis afirmou que a apresentação no estádio do Corinthians não será para a comunidade científica, mas para o público. "Esse será um show para o mundo", declarou. "A demonstração para a comunidade científica virá em artigos, mais tarde", completou o brasileiro.

Uma das principais críticas que a comunidade científica tem sobre o "Andar de novo" é o fato de ele captar a atividade cerebral por meio de eletroencefalografia. Anteriormente, Nicolelis pretendia usar eletrodos implantados diretamente no cérebro. Questionado pela revista "Science" sobre essa mudança, o pesquisador respondeu que mudou de ideia depois de observar que os resultados de grupos que exploraram essa tecnologia eram "medíocres".

"Vimos que tínhamos um novo algoritmo para a eletroencefalografia que poderia fazer mais do que pensei no início", disse o neurocientista. Ele acrescentou que os implantes de eletrodos realmente funcionam melhor no caso da movimentação dos braços, mas não para locomoção.

Emoções
Levando em conta que o voluntário do projeto usará somente o pensamento para dar o chute inaugural da Copa do Mundo, seria natural questionar se a emoção de estar diante de uma torcida tão grande não atrapalharia sua concentração. Segundo Nicolelis, essa dificuldade já foi prevista durante os testes. Por isso, a equipe criou uma sala de realidade virtual no laboratório, com a simulação de um estádio de futebol.

"Se você consegue realizar essa tarefa enquanto escuta os fãs de futebol da Turquia, como eles fizeram, que é a torcida mais barulhenta do mundo, essa torcida no Brasil vai ser como uma aula de escola primária, em comparação", afirmou o pesquisador à "Science".

De acordo com Nicolelis, essa demonstração será apenas o primeiro passo da pesquisa, que deve continuar a ser desenvolvida para que o exoesqueleto se torne uma alternativa viável de mobilidade para pessoas paralisadas. "Isso é apenas para aumentar a conscientização para o fato de que temos de 20 a 25 milhões de pessoas paralisadas ao redor do mundo, e que a ciência, se devidamente financiada e apoiada, pode fazer alguma coisa. Se começarmos agora – e esse é apenas um chute inicial simbólico – podemos conseguir fazer alguma coisa nos próximos anos."

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