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Um ser humano simples com defeitos, virtudes e que a cada dia procura viver de uma forma mais coerente possível para ser feliz. Sou cadeirante desde 1977 devido a poliomielite (Paralisia infantil), blogueiro, ex Locutor do telemensagem Shalom,Palestrante, presidente da A.D.C.C.-ASSOCIAÇÃO DOS CADEIRANTES DE CARUARU, Ex bailarino,ex secretário e conselheiro do COMUD- Conselho municipal de defesa dos direitos das pessoas com deficiência, ESTUDANTE DE ECONOMIA NA UFPE CAA(Passei a emoção é inexplicável)! Primeiro cadeirante aprovado e sem cota em ampla concorrência. Membro do NACE-Núcleo de Acessibilidade da UFPE-CAA. Estudante em pesquisa de extensão em Direitos Humanos-UFPE CAA e Secretário do DA-Diretório Acadêmico do curso de Economia-UFPE,CAA

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

A PESSOA COM DEFICIÊNCIA E A SUPERPROTEÇÃO: UMA RELAÇÃO MALÉFICA.

A personalidade emocional da pessoa com deficiência está intimamente
relacionada à psicologia social. Em outras palavras, a interação desse
indivíduo com outras pessoas e no ambiente próprio de cada um produz
resultados que vão formando a sua personalidade.
Assim, o indivíduo portador de alguma limitação física ou sensorial será
menos limitado pela sua deficiência do que pela atitude da sociedade em
relação à sua deficiência.

Vivemos numa sociedade acostumada a procurar por máscaras de toda espécie.
O que realmente vale é evitar dor, seja física ou emocional. Somos
seduzidos por uma série de facilidades que nos poupem a vida de alguma
forma. Assim, acreditamos que a cura vem através da atuação de um remédio
externo. Com o passar do tempo, tornamo-nos cada vez mais fracos e
afastados da efetiva realidade. Isso tudo nos faz buscar por soluções
rápidas, precisas e sólidas, ainda que venhamos a ter perdas emocionais
graves a médio e longo prazo.

A superproteção se mostra quando os pais e familiares poupam os filhos de
uma série de experiências que vêem como nocivas a eles. Os superprotetores
colocam-se sempre em guarda para defender sua prole de sofrimentos que
avaliam como um mal que deva ser evitado. Porém, esse mal nada mais é do
que mero ponto de vista equivocado. Quando superprotegem, os familiares
comprometem em muito a formação do superprotegido em vários aspectos.
A forma como os pais encaram a condição do filho com deficiência depende
de vários fatores, como o tipo e o grau de limitação da criança, a
estrutura familiar, a relação do casal e a personalidade de cada um deles.

“E esse comportamento não é estático, pode mudar com o tempo.
Os pais devem ter uma visão real das limitações. Na maioria dos casos,
essa visão acaba sendo prejudicada pela conjuntura social em que vivem,
pelo amadurecimento de cada um e principalmente por aspectos culturais e
familiares. A criança precisa de estimulação, adaptações e de recursos que
facilitem sua vida, mas precisa, sobretudo, aprender, desde cedo,a
conviver com o mundo com naturalidade.”

Na prática, o que encontramos são pais e familiares que protegem seus
filhos com alguma deficiência em demasia. Esse comportamento se deve,
principalmente, ao fato de eles projetarem no filho sua própria
fragilidade diante da situação, à culpa que eventualmente sentem por terem
gerado um filho com limitações ou por não terem conseguido evitá-la e aos
sentimentos em igual proporção de amor e de rejeição, em relação à pessoa
com deficiência.

Em muitas ocasiões, os familiares acreditam, inicialmente, que a pessoa
com deficiência, devido as limitações físicas, poderá frustrar todos os
planos e sonhos que sua família projetou nela. Porém, se esquecem que isso
também ocorre com as pessoas sem deficiência alguma, quando, por exemplo,
um pai, jurista conceituado, espera que seu filho siga seus passos e o
mesmo decide se enveredar pela carreira da medicina. Entretanto, quando se
trata de alguém com deficiência, imagina-se que o campo de atuação dessa
pessoa está muitíssimo mais limitado do que realmente o é. Percebe-se
muitos casos de filhos com deficiência que superam seus pais e familiares
em inúmeros aspectos da vida, seja profissional, emocional e intelectual.
Porém, tudo vai depender da realidade a que ele é submetido e da
compreensão dos males que a superproteção pode lhe causar.

Essa superproteção faz com que a criança cresça tendo uma visão frágil de
si mesma, impede que ela conheça seus recursos e cria dificuldade para
lidar com a frustração. Isso também ocorre com filhos não deficientes, por
óbvio, mas uma criança com limitações que a distinguem das demais pessoas,
dependendo do grau de superproteção, pode não desenvolver toda a sua
capacidade cognitiva”, emocional e social. Na prática, o resultado disso
significa um prolongamento da fase infantil, dificuldades internas
seríssimas quando das mudanças que ocorrem na adolescência e,
principalmente, uma personalidade adulta cheia de percalços.

Interferir de maneira constante para suavizar o mundo para a alguém é uma
forma eficaz de diminuir a sua autoconfiança. A pessoa superprotetora
envia, sem perceber, a idéia de medo e incapacidade ao superprotegido,
fazendo com que ele acredite que é incapaz de resolver por si só, qualquer
percalço ou situação nova.
De acordo com a psicóloga Renata Trugillo,
“De uma forma geral a deficiência significa limites de ação e expansão
pessoais e, consequentemente, pode acabar por segregar o indivíduo do
convívio social afastando-o das oportunidades normais de realização
(pessoal, profissional, social, afetiva, etc.).
A pessoa com deficiência tem as mesmas necessidades de qualquer outro
indivíduo. Ele necessita ser amado, valorizado e sentir-se participante do
grupo familiar e social. Incentivado pode tornar-se um adulto integral e
produtivo.”

Assim, o Dr. Alessandro Loiola aconselha:
“Tudo bem, supervisionar seu filho é o melhor remédio para mantê-lo a
salvo. Concordo com isso. Mas saiba que mantê-lo sob sua vigilância 100%
do tempo também é a receita para produzir um adulto inseguro. Use sua
inteligência para encontrar o equilíbrio.”
Conclui-se, destarte, que aqueles pais e familiares que superprotegem seus
filhos, que fazem tudo o que podem por eles, que não permitem que eles
experimentem, por si só, as novas e diferentes situações, não dão a eles a
oportunidade de enfrentar os problemas que todos nós podemos encontrar ao
longo da vida, sejam de ordem psicológica, física ou emocional. No que diz
respeito a pessoa com deficiência, em particular, esses efeitos podem
devastar sua personalidade, interferindo diretamente na sua autoestima,
autoconfiança e na capacidade de viver e interagir com a sociedade.
Referências

·        Trugilo, Renata do Carmo de Assis. Psicologia da Diferença. Artigo
disponível em  http://www.bengalalegal.com/psico.php
– acessado em 11/12/2009.
·        Loiola, Alessandro. Pais superprotetores. Artigo disponível em http://local.artigosinformativos.com.br/Conheca_as_consequ%C3%AAncias_da_superprotecao_Cascavel_Parana-r1195101-Cascavel_PR.html acessado em  11/12/2009

FONTE-BLOG DO DINIZ

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