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Um ser humano simples com defeitos, virtudes e que a cada dia procura viver de uma forma mais coerente possível para ser feliz. Sou cadeirante desde 1977 devido a poliomielite (Paralisia infantil), blogueiro, ex Locutor do telemensagem Shalom,Palestrante, presidente da A.D.C.C.-ASSOCIAÇÃO DOS CADEIRANTES DE CARUARU, Ex bailarino,ex secretário e conselheiro do COMUD- Conselho municipal de defesa dos direitos das pessoas com deficiência, ESTUDANTE DE ECONOMIA NA UFPE CAA(Passei a emoção é inexplicável)! Primeiro cadeirante aprovado e sem cota em ampla concorrência. Membro do NACE-Núcleo de Acessibilidade da UFPE-CAA. Estudante em pesquisa de extensão em Direitos Humanos-UFPE CAA e Secretário do DA-Diretório Acadêmico do curso de Economia-UFPE,CAA

segunda-feira, 30 de maio de 2016

O PROFESSOR: AFETIVIDADE E AUTISMO

Apesar de não existir uma receita pronta para lidar com o autismo em sala de aula, há aspectos básicos na aprendizagem humana - comuns a todos nós - que podem servir de mediadores da aprendizagem, dentre eles a afetividade.


            Apesar de não existir uma receita pronta para lidar com o autismo em sala de aula, há aspectos básicos na aprendizagem humana - comuns a todos nós - que podem servir de mediadores da aprendizagem, dentre eles a afetividade. O afeto não é nenhuma nova teoria pedagógica, nem a mais nova descoberta científica para dar-nos melhor qualidade de vida.


              Trata-se de algo que acompanha o homem desde o nascimento da sua história. É um instrumento pedagógico que precede ao uso do giz e da lousa, todavia, não se tornou anacrônico. Ele é científico: ao consumar o afeto, o cérebro recompensa o corpo por meio da liberação de impulsos químicos que trazem a sensação de prazer e de alegria. Ser afetivo não é ser adocicado. Ser afetivo é utilizar o campo emocional como um eficaz e real instrumento pedagógico, mediando a aprendizagem, trabalhando a memória e a cognição.


               Em termos práticos, é trazer para o exercício pedagógico o interesse e o amor dos atores da escola. Um aluno que ama aprender aprende melhor; um professor que ama ensinar ensina melhor. Porém, não podemos nos iludir achando que basta amar para ser bom professor. Antes, se eu amo, eu estudo, eu pesquiso, eu trabalho e, desta forma, adquiro um olhar sensível e instrumentalizado, essencial ao exercício docente.


                   A carga de amorosidade que está em mim me faz ser um aprendiz do saber para exercer com equidade o meu ofício. A carga de amor que está em mim me faz interessado e responsável em descobrir alternativas nos processos de ensino e aprendizagem. Igualmente, a carga afetiva do aluno o faz irromper a lugares ainda desconhecidos de aprendizagem e saber. Se não podemos ser afetivos sem adquirir os predicados necessários ao exercício docente, tampouco podemos exercer a prática pedagógica sem os atributos do amor, principalmente quando falamos da inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais.


            Podemos dizer que o afeto possui três dimensões: a pessoal, que desenvolve a autoestima do professor e do aluno, revelando as raízes da motivação e do interesse; a social, estabelecendo as relações com aqueles que estão no campo escolar e que podem tornar o ambiente instigante para a aprendizagem; a pedagógica, que estimula os vínculos do aluno e do professor com o objeto de estudo, produzindo a afinidade com o processo de ensino e aprendizagem, na troca de saberes docentes e discentes, na cumplicidade de fazer o percurso tão prazeroso quanto a chegada.


             Portanto, é necessário mergulhar nos afetos do aluno com autismo: descobrir seus interesses, desejos, sonhos possibilidades, dificuldades, enfim, conhecê-lo bem. O professor precisa descobrir quais habilidades ele já possui e quais precisa adquirir. Podem ser habilidades sociais ou acadêmicas. Sempre priorizando a comunicação e a socialização. Decerto, não há metodologias ou técnicas salvadoras.


             Há, sim, a possibilidade de uma formação, considerando a função social e construtivista da escola. A escola necessita aprender a lidar com a realidade do educando. Nessa relação, quem primeiro aprende é o professor e quem primeiro ensina é o aluno. Afinal, o aprendente com autismo não é um ser solitário compondo uma música que só ele ouve. Ele faz parte de uma orquestra, cujo maestro é o seu desejo, pois é para este que ele sempre olha. E o professor? O professor é o músico que dá vida ao ritmo que sustenta a música até o final.

Fonte-Saber Autismo


Eugênio Cunha -

Doutor, Professor, psicopedagogo, doutor em educação. Autor dos livros “Afetividade na prática pedagógica”, “Afeto e aprendizagem” “Autismo e inclusão”, “Práticas pedagógicas para inclusão e diversidade” e “Autismo na escola: um jeito diferente de aprender, um jeito diferente de ensinar", publicados pela WAK Editora.

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