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Um ser humano simples com defeitos, virtudes e que a cada dia procura viver de uma forma mais coerente possível para ser feliz. Sou cadeirante desde 1977 devido a poliomielite (Paralisia infantil), blogueiro, ex Locutor do telemensagem Shalom,Palestrante, presidente da A.D.C.C.-ASSOCIAÇÃO DOS CADEIRANTES DE CARUARU, Ex bailarino,ex secretário e conselheiro do COMUD- Conselho municipal de defesa dos direitos das pessoas com deficiência, ESTUDANTE DE ECONOMIA NA UFPE CAA(Passei a emoção é inexplicável)! Primeiro cadeirante aprovado e sem cota em ampla concorrência. Membro do NACE-Núcleo de Acessibilidade da UFPE-CAA. Estudante em pesquisa de extensão em Direitos Humanos-UFPE CAA e Secretário do DA-Diretório Acadêmico do curso de Economia-UFPE,CAA

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Personal que ficou tetraplégico é exemplo de superação

"Qual será sua desculpa?" Com essa pergunta, Dannilo Garcia, de 35 anos, provoca quem vive colocando a culpa por não se exercitar na falta de tempo, de dinheiro, de disposição. O puxão de orelha, vindo de um profissional da área de Educação Física, já é motivo para refletir. Mas vindo de Dannilo faz pensar sobre o sentido, a gratidão e o que cada um quer fazer da sua vida. Tetraplégico depois de um acidente banal, Dannilo conseguiu superar prognósticos médicos e hoje trabalha como personal trainer, dando continuidade à carreira que começou há uma década. "A gente pode ser aquilo que a gente acredita ser e pelo que a gente batalha para ser."


A vida de Dannilo mudou completamente em 2008. Professor de Educação Física e amante de esportes, trabalhava em três academias de Sorocaba e treinava pesado para participar de uma prova de Ironman -- uma modalidade de triathlon que compreende longas distâncias de natação, ciclismo e corrida. "Era um sonho e também queria incrementar meu currículo." Tudo ia bem com o jovem, então com 27 anos. Até que um dia, numa festa de confraternização, Dannilo decidiu brincar numa arena inflável de futebol de sabão. "Resolvi dar um salto mortal ali. Dei o primeiro, o segundo e quando fui dar o terceiro meu pé escorregou antes de eu saltar. Caí de cabeça e quebrei o pescoço", lembra. Naquele momento, Dannilo conta que imediatamente falou para um amigo: "fiquei tetraplégico". "Não senti mais meu corpo." O colega, é claro, disse a ele para que "virasse a boca para lá". Resgate realizado, ele foi levado para o Hospital Regional. "Lá eu vivi os piores momentos da minha vida, de descaso." Esperando por atendimento num corredor, Dannilo já sabia que algo muito grave havia acontecido. Afinal, ele é um profissional ligado à saúde do corpo -- e sabe muito bem como ele funciona.


A queda de cabeça no brinquedo inflável provocou o deslocamento de uma vértebra, que rompeu quase toda a medula. Foram necessários uma cirurgia no pescoço e 17 dias de internação. Mas, a essa altura, o educador físico já tinha o diagnóstico oficial de tetraplegia: nenhuma expectativa de ter qualquer movimento do pescoço para baixo. "Mas eu nunca fui de aceitar o que me falam, ainda mais um diagnóstico. Me recusei a aceitar e me recuso. Nossa história quem escreve é a gente." A mãe de Dannilo, Helena Garcia, chegou a desconfiar que o filho não estava consciente de todos os problemas que ainda ia enfrentar. "Disse à psicóloga que achava que a ficha dele ainda não tinha caído. Ele sempre esteve alegre, cantando... e ela me disse que não, que ele sabia muito bem o que estava vivendo", descreve.

Estava preparado

Dannilo conta que em nenhum momento se revoltou com a situação. De volta para casa, os empregos deixaram de existir e toda a família precisou se preparar para viver a nova realidade. "A partir daí, fiquei obcecado com a reabilitação. Queria mais que só a fisioterapia convencional."

Com a ajuda do irmão, Dannilo encontrou o projeto americano chamado Project Walk, voltado à retomada de movimentos de pessoas tetraplégicas. "Mas precisava de 150 mil dólares para ir até lá. Foi quando eu, amigos e familiares começamos a fazer festas e jantares beneficentes." Em 2010, para sorte de Dannilo, uma franquia do projeto americano foi instalada em São Paulo. "Com os recursos que eu já tinha, pude me recuperar por dois anos lá." Hoje, Dannilo mexe braços e mãos e tem bom controle do tronco. O tratamento parou -- porque o dinheiro acabou -- mas ele continua com a fisioterapia e com "avanços graduais" na retomada dos movimentos.

A reviravolta

Um jovem que sofreu um acidente, ficou tetraplégico e se dedica ao máximo para sua recuperação já é uma história de sucesso. Mas Dannilo queria mais. "Cheguei à conclusão que precisava voltar a trabalhar." Ele aproveitou um processo seletivo e conseguiu uma vaga no Senac, na área administrativa. "Foi aí que eu comecei a viver novamente." Foi lá que conheceu a esposa Nara -- com quem se casou há uma semana -- e teve a certeza que ama a Educação Física.

Há dois anos, Dannilo recebeu a proposta de uma tia de sua então namorada, que sofria de dores nas costas e precisava de alguém que a orientasse em exercícios físicos para melhorar a qualidade de vida. "Ela perguntou se eu não poderia fazer isso. Aceitei e hoje já tenho 14 alunos", contou o personal trainer. Ele atende as pessoas que querem se exercitar em suas próprias casas ou nos parques e está montando um espaço só seu. Retomar uma profissão que trabalha exclusivamente com os movimentos do corpo não foi nada fácil -- mas desafiador e totalmente possível para ele. "Fui me atualizar e desenvolvi uma forma de explicar verbalmente como os exercícios devem ser feitos corretamente -- já que não consigo mostrar. Também tenho uma pessoa que me ajuda. Muita gente tem preconceito e eu respeito, é difícil entender alguém que não tem movimentos ensinando a fazer movimentos. Mas é possível", diz ele, que inclusive faz musculação.

Hoje, Dannilo usa sua história para alertar sobre a importância de viver bem. "Eu vou voltar a andar. Não sei se será um milagre ou se vão descobrir a cura para a lesão na medula. Nunca deixarei de acreditar nisso. Mas eu não vou esperar voltar a andar para viver."




A emoção de poder casar-se em pé

Depois do casamento, o personal trainer ganhou uma cadeira stand up

"Eu não sei descrever o que eu senti naquele momento." A falta de palavras de Dannilo se refere a um dia muito especial, segundo ele, o mais importante da sua vida. Há exatamente uma semana, ele se casou com Nara Roberta Cimetta Garcia, 34 anos. E, para esperar a noiva no altar, utilizou uma cadeira stand up eletrônica, que o colocou em pé. Ninguém esperava que aquilo fosse acontecer -- inclusive a noiva -- e a emoção tomou conta de toda a igreja e convidados.

O sonho de se casar em pé era antigo e rondava tanto Dannilo como Nara. Porém, ao irem atrás do equipamento para aluguel, acabaram não tendo sucesso. "É um equipamento muito caro e quase não alugam pois há o risco de quebrar e, daí, o custo de manutenção é muito alto também." Quando quase estavam desistindo de procurar, amigos em comum acabaram conseguido um contato com o empresário Nelson Nolé, da Conforpés, que emprestou o equipamento para que Dannilo usasse durante a cerimônia, que aconteceu na Igreja Presbiteriana do Calvário, em Sorocaba. "Foi indescritível. quando percebi, dei um berro e comecei a chorar", conta Nara. De pé, Dannilo recebeu a noiva, trocou alianças e cumprimentou os padrinhos.

Com as fotos do casamento compartilhadas nas redes sociais, a história de Dannilo logo ficou conhecida. E o empresário Nolé não se contentou apenas em dar um momento de alegria aos noivos. Na última quarta-feira, ele deu de presente a cadeira stand up para Dannilo, durante uma participação do personal trainer no Programa do Ratinho, do SBT. "O que a gente dá, recebe em dobro", resume Nolé.

Segundo Dannilo, estar na posição em pé não é apenas um prazer para quem vive numa cadeira de rodas -- é uma necessidade. Isso porque estar nessa posição é parte do tratamento de reabilitação, pois auxilia, por exemplo, na regulação de funções fisiológicas e a promover o impacto que fortalece ossos e músculos.

Fonte-Jornal Cruzeiro do Sul

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