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Um ser humano simples com defeitos, virtudes e que a cada dia procura viver de uma forma mais coerente possível para ser feliz. Sou cadeirante desde 1977 devido a poliomielite (Paralisia infantil), blogueiro, ex Locutor do telemensagem Shalom,Palestrante, presidente da A.D.C.C.-ASSOCIAÇÃO DOS CADEIRANTES DE CARUARU, Ex bailarino,ex secretário e conselheiro do COMUD- Conselho municipal de defesa dos direitos das pessoas com deficiência, ESTUDANTE DE ECONOMIA NA UFPE CAA(Passei a emoção é inexplicável)! Primeiro cadeirante aprovado e sem cota em ampla concorrência. Membro do NACE-Núcleo de Acessibilidade da UFPE-CAA. Estudante em pesquisa de extensão em Direitos Humanos-UFPE CAA

sexta-feira, 10 de março de 2017

Criança com paralisia cerebral espera 1 hora por cadeira de rodas em avião

Carlos Pereira, empreender social criador do Livox, Aline Costa Pereira, sua esposa e a filha, Clara, no parque temático Magic Kingdom, em Orlando, na Florida (EUA)



Vítima de paralisia cerebral ao nascer, Clara, 9, precisou esperar cerca de uma hora dentro de um avião para conseguir desembarcar no Brasil após nove horas de voo desde Orlando, nos Estados Unidos, onde mora com a família.


O episódio aconteceu na manhã desta quinta-feira (9), quando seu pai, Carlos Pereira, pediu para a comissária de bordo que agilizasse a entrega do equipamento especial com o qual ela se locomove, que conta com suporte para o corpo, no portão de desembarque no Aeroporto Internacional do Recife.


Durante o embarque em Orlando, Carlos despachara o item, que recebeu a etiqueta "gate delivery" (entrega no portão), o que deveria garantir que o objeto fosse restituído à família diretamente no portão.


Em um desabafo emocionado em rede social, Carlos, que é o vencedor do Prêmio Empreendedor Social 2016, relatou as dificuldades para fazer valer o direito de sua filha, para quem desenvolveu um aplicativo de comunicação alternativa que é considerado o melhor mundo pela ONU.



Em entrevista à Folha, o analista de sistemas contou também os detalhes da longa espera. Segundo ele, após o pedido da cadeira de rodas, a comissária respondeu com um lacônico: "Vou ver".



O pai de Clara disse ter ficado surpreso com a incerteza e, ao questionar, a réplica da funcionária da companhia Azul Linhas Aéreas foi um prenúncio da maratona que enfrentaria em solo brasileiro: "Às vezes, a Receita [Federal] embaça", teria dito a comissária.


No momento do desembarque, a cadeira especial de Clara não estava no portão. Uma outra foi oferecida, mas Carlos se recusou a sair da aeronave, pois era um modelo padrão, destinada a adultos, o que colocava em risco sua filha. "Era uma cadeira sem estrutura."



Carlos, a mulher, Aline, e a filha ficaram à espera no avião durante cerca de uma hora, junto com os tripulantes e a equipe de limpeza. Com o ar-condicionado desligado e uma temperatura de 29°C entre 8h e 9h no Recife, o calor na cabine foi ficando insuportável, causando desconfortos à criança. "Aline ficava abanando Clara."



De acordo com Carlos, o funcionário de solo relatou que a Receita Federal precisava inspecionar a cadeira embarcada nos EUA e, por isso, ela não tinha sido liberada.



No entanto, o pai questionava o fato de, mesmo passando pelo controle, a cadeira não poder chegar ao finger, como seria o esperado e previsto por uma regra da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), que garante acessibilidade às pessoas com deficiência.


Um funcionário ficava entre idas e vindas à Receita Federal para liberação, segundo Carlos, sem sucesso.



A assessoria da Receita informou que o fiscal responsável pelo voo foi contatado duas vezes. A primeira quando a equipe da Azul ligou para informar que havia um passageiro se recusando a descer da aeronave na cadeira da Infraero e, a segunda, para autorizar um funcionário buscar a cadeira de Clara na esteira.



O resgate do equipamento, no entanto, precisou ser feito pelo próprio pai. Na companhia de um funcionário, Carlos passou pelo controle de passaporte e foi até a esteira buscar a cadeira e então voltar ao desembarque para finalmente retirar a filha da aeronave.



Por meio de nota, a Azul informou que "que seguiu a orientação das autoridades aeroportuárias e que prestou toda assistência necessária e possível com objetivo de agilizar a restituição da cadeira especial no desembarque".




A companhia, no entanto, não respondeu por que a cadeira não foi enviada diretamente para o portão de desembarque se estava assim sinalizada desde a origem, nem se o funcionário que fez a ponte entre Carlos e a Receita é da companhia ou da Infraero.



 NORMAS



Para a deputada federal Mara Gabrilli (PSDB-SP), relatora da Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, a regra da Anac é clara. "A partir do momento que a pessoa chegou no portão de embarque na própria cadeira, ela tem que voltar para o portão [no momento do desembarque]."


Apesar da norma, ela, que também utiliza uma cadeira especial por ser tetraplégica, tem diversas histórias sobre a demora do retorno do equipamento ao fim de viagens aéreas. "Em Miami, uma vez, a funcionária do aeroporto mentiu para mim dizendo que minha cadeira estava na porta do finger", relata.



Segundo Mara, a demora muitas vezes é justificada por controles de segurança, especialmente nos Estados Unidos e na Europa.



Ao avaliar o episódio de Clara, ela vê uma falha da Azul. "Me parece que, nesse caso, foi um erro da companhia que, ao invés de levar para o portão, encaminhou para a esteira [de bagagens]."


Carlos fez um segundo desabafo após chegar no hotel. "Eu não fiz isso para aparecer nem para criar confusão. Isso é um direito da pessoa com deficiência, ter sua cadeira entregue na porta do avião e devolvida na porta do avião."


Fonte-Folha de São Paulo. Acesse e assista vídeo



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