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Um ser humano simples com defeitos, virtudes e que a cada dia procura viver de uma forma mais coerente possível para ser feliz. Sou cadeirante desde 1977 devido a poliomielite (Paralisia infantil), blogueiro, ex Locutor do telemensagem Shalom,Palestrante, presidente da A.D.C.C.-ASSOCIAÇÃO DOS CADEIRANTES DE CARUARU, Ex bailarino,ex secretário e conselheiro do COMUD- Conselho municipal de defesa dos direitos das pessoas com deficiência, ESTUDANTE DE ECONOMIA NA UFPE CAA(Passei a emoção é inexplicável)! Primeiro cadeirante aprovado e sem cota em ampla concorrência. Membro do NACE-Núcleo de Acessibilidade da UFPE-CAA. Estudante em pesquisa de extensão em Direitos Humanos-UFPE CAA e Secretário do DA-Diretório Acadêmico do curso de Economia-UFPE,CAA

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Mulher conta como enfrenta preconceito contra marido e filho cadeirantes: 'Amor supera'

"Ai, tadinho!". "Que judiação!". "Ele é tão bonitinho, pena que não anda". Thaís Araújo, de 25 anos, ainda se arrepia quando escuta frases como essas, disparadas a Miguel, seu filho, de 3 anos. Com uma malformação detectada ainda na gestação, a mielomeningocele, o pequeno já se acostumou a manejar a cadeira de rodas com que conviverá para o resto da vida. No último ano, sua evolução é notória: o menininho já sobe e desce do aparelho para a cama sozinho, por exemplo, empoderado pelo exemplo de Fernando Mendes, de 33 anos, a quem passou a chamar de pai. 


Foi amor à primeira vista. A mãe estava em Rio Claro, São Paulo, na loja em que Fernando trabalha como vendedor para a manutenção da cadeira de Miguel. O coração acelerou quando viu o homem e, três meses depois, ela decidiu se mudar de Brasília, onde vivia, para se juntar ao amado. 

Thaís se emocionou quando viu a postagem do EXTRA no Facebook, que contava a história de preconceito contra Thaís Carla e o marido, Israel Reis. O casal é apontado nas ruas por suas diferenças: ela é gorda e branca e ele, negro. "Eu sou casada com um cadeirante e tenho um filho cadeirante. Tenho olhos tortos pra cima de mim o tempo inteiro, aonde quer que eu vá, mas temos muito mais admiradores, graças a Deus! Eu amo meus meninos, do jeitinho que eles são, porque o que importa não é andar, e sim o amor que tem entre nós!", escreveu.

Em entrevista ao EXTRA, a dona de casa contou que se colocou no lugar do casal quando viu a história.

— Muita gente acha que um andante não pode amar um cadeirante, que a relação só pode ser de interesse. Mas, quando vi Fernando, não o enxerguei numa cadeira de rodas. Vi um homem. Até hoje esqueço e ele precisa me lembrar de guardar a cadeira no carro, por exemplo — conta Thaís, acostumada a olhares constrangedores e perguntas nas ruas :

- Pessoas que nunca vimos perguntam se o Miguel é filho dele, se é uma doença genética dos dois, ou se eu sou a única que não teve sequelas depois de um grave acidente envolvendo toda a família. Nós fazemos questão de responder a todos, porque é uma maneira de se acostumarem com o que é diferente — disse.

Apesar da naturalidade com relação ao assunto, a própria Thaís teve que vencer seus medos para estar num relacionamento com Fernando. Afinal, era a primeira vez que se envolvia com um cadeirante.


— É claro que pensei "Meu Deus, como vai ser?". Minhas amigas também ficaram surpresas quando disse que estava apaixonada por um cadeirante, mas a verdade é que não faz a menor diferença ele não poder andar. Fernando consegue deixar tudo fácil e natural com o bom humor dele e com a forma espontânea com que lida com a deficiência — revela.

Inspiração de pai para filho

A ligação de Miguel e Fernando é forte. "Ele já chama o Fernando de pai", conta. O menino, que antes não conhecia ninguém como ele, agora frequenta um universo em que ser cadeirante não invalida seus sonhos:

— Sofri vários preconceitos quando estava sozinha com Miguel, e sempre tive que dizer que não era um coitadinho. Numa situação, saí chorando muito, completamente constrangida. Agora, meu filho tem a chance de entender que pode fazer tudo como qualquer pessoa. O amor supera tudo — comemora.


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